Participação no programa Casa Feliz: Alertas Importantes sobre Ecrãs e Raios UV
- 19 de fev.
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No passado dia 18 de abril de 2024, no programa SIC, foi abordado um tema de grande relevância clínica e preventiva: a proteção da saúde ocular face ao uso intensivo de ecrãs e à exposição solar.
A intervenção centrou-se em dois problemas cada vez mais frequentes na prática oftalmológica: a fadiga ocular digital e os danos cumulativos provocados pela radiação ultravioleta (UV).
Este artigo resume os principais pontos da participação e enquadra-os do ponto de vista médico.
Veja o vídeo em: https://sic.pt/programas/casa-feliz/2024-04-18-nao-ponham-soro-nos-olhos--as-dicas-da-oftalmologista-para-proteger-a-vista-dos-ecras-e-dos-raios-uv
1. “Não ponham soro nos olhos”: um alerta necessário
Um dos momentos mais marcantes da participação foi o esclarecimento sobre o uso indevido de soro fisiológico diretamente nos olhos.
Apesar de ser uma prática comum, o soro não está formulado especificamente para a superfície ocular. A sua osmolaridade e composição não replicam a lágrima natural. O uso repetido pode:
Agravar a secura ocular
Alterar o equilíbrio da superfície ocular
Provocar irritação adicional
Em casos de desconforto ocular, a solução adequada passa por lágrimas artificiais apropriadas e orientadas por profissional de saúde.
2. Ecrãs: impacto real na saúde visual
A utilização prolongada de computadores, tablets e telemóveis associa-se a um conjunto de sintomas designado por fadiga ocular digital, que pode incluir:
Sensação de olhos secos
Ardor e irritação
Visão turva transitória
Cefaleias
Dificuldade de foco ao final do dia
O problema não reside apenas na “luz azul”, mas sobretudo na redução do número de pestanejos e na manutenção prolongada de foco próximo.
Recomendações práticas:
Aplicar a regra 20-20-20 (a cada 20 minutos, olhar 20 segundos para 20 pés ≈ 6 metros).
Ajustar iluminação e contraste do ecrã.
Manter distância adequada do monitor.
Utilizar lágrimas artificiais quando indicado.
3. Raios UV: risco cumulativo e silencioso
A exposição solar excessiva tem impacto direto e cumulativo na saúde ocular. A radiação UV está associada a:
Catarata
Degenerescência macular relacionada com a idade
Lesões da córnea (fotoceratite)
Alterações da conjuntiva
A proteção deve ser encarada como medida preventiva estruturante.
Medidas essenciais:
Óculos de sol com proteção UV 400 (bloqueio total UVA e UVB)
Armações envolventes
Uso de chapéu com aba larga
Proteção especial em crianças
Importa sublinhar que a radiação UV atinge os olhos mesmo em dias nublados.
4. Literacia em saúde ocular
A participação televisiva teve igualmente um propósito pedagógico: desmistificar práticas populares e promover comportamentos preventivos baseados em evidência científica.
A prevenção em oftalmologia é determinante, pois muitas patologias evoluem de forma silenciosa e apenas se manifestam em fases avançadas.
Conclusão
A intervenção no programa constituiu uma oportunidade relevante para reforçar três mensagens fundamentais:
Evitar práticas caseiras não indicadas, como a aplicação de soro fisiológico nos olhos.
Adotar estratégias de proteção visual no uso diário de ecrãs.
Proteger sistematicamente os olhos da radiação ultravioleta.
A saúde ocular depende de hábitos consistentes e de acompanhamento regular. A informação correta é o primeiro passo para preservar a visão a longo prazo.
